O problema da Italia e a Zona do Euro

O problema da Italia e a Zona do Euro

Pesquisei um pouco mais, desde o último artigo que escrevi sobre o bloco da Uniao Europeia e como os italianos vem criticando o bloco em si. Acusando a Alemanha de se beneficiar além culparem o Euro pelos seus problemas.

Aproveitando o gancho que o nosso amigo Investidor Sócio bem salientou da discrepância econômica que vemos na região Norte, essa bem mais desenvolvida que a região Sul da Italia. Vamos tentar entender um pouco mais a fundo os problemas da economia Italiana.

Achei um paper bem legal, consulte aqui. O artigo “The Productivity Puzzle and Misallocation: An Italian Perspective” feito na London School of Economics and Political Science.

O artigo fala sobre o desenvolvimento econômico e produtividade da Itália desde 1993 (pode baixar o artigo não está em italiano e sim em inglês) e aproveita que o artigo tá fresquinho, saiu agora em Dezembro de 2017.

No paper mostra que ao longo do tempo a produtividade da industria global como um todo – mesmo Estados Unidos e Alemanha – vem apresentando um fraco resultado, porém a Itália tem sido muito abaixo da média das nações industrializadas.

Uma performance fraca de produtividade é freqüentemente relacionada ao resultado incorreto de capital e/ou força de trabalho. O capital ou as pessoas estão sendo empregados em fins pouco eficientes.

Isso pode ser mais evidenciado especialmente em setores que estão contra a forte competição tecnológica internacional. Confirmando o que dissemos no outro post.

Resolvi aprofundar um pouco sobre o problema Italiano nesse post, porque boa parte das mazelas que eles enfrentam, também podem ser percebidos no mercado Brasil.

Vocês podem ver que muitas coisas descritas abaixo são também enfrentadas na nossa economias, particularmente acho que a nossa situação bem mais complicada, o caso a situação deles é bem mais simples de se resolver que a nossa.

O paper ainda indica alguns outros pontos de fraqueza que podemos encontrar na economia italiana:

    • Ineficiência. Grandes empresas são, por seu tamanho, mais capazes de conseguir entrar numa competição global. Você pode até encontrar um ambiente mais produtivo dentro de pequenas empresas, pois essas costumam ter proporcionalmente mais funcionários competentes que as grandes empresas. No entanto, são demasiado pequenas para competição global.
    • Possuem muitas empresas familiares. Isso não é nada de novo que empresas familiares tendem a ser menos produtivas: há estudos que mostram que empresas familiares são mais cuidadosas na gestão e arriscam muito pouco. Duas categorias de empresas que são conhecidas como pouco produtivas: as familiares e estatais (essas últimas nós brasileiros conhecemos bem). No entanto, as empresas que estão sob controle de instituições financeiras, ou outros proprietários estrangeiros, tendem a ser muito mais produtivas.
    • Os empréstimos bancários desempenham um papel fundamental nessa balança. É dado muito crédito às empresas pouco eficientes e pouco crédito para empresas eficientes. Isso tem várias razões. Uma das razões que já referenciamos anteriormente é o fato de que empresas de tecnologia precisam de poucos investimentos em material que poderia ser aceito como garantia pelos bancos. Eu particularmente já enfrentei diversos problemas aí mesmo no Brasil em relação a conseguir recursos. Isso ocorreu lá no inicio da minha empresa, o banco precisava de bens para comprovar a captação de recursos, como vou apresentar bens se a minha empresa não precisava de nada disso para funcionar, no máximo uma salinha e poucos funcionários, postei um Twitter que explica bem isso, inclusive siga-me no twitter todo dia posto coisa nova lá. Enfim, essa questão dos bancos é um assunto muito interessante que irei abordar talvez na série meu próprio negócio. Este é provavelmente um dos maiores problemas da Itália: empresa inovadora com poucos recursos financeiros.


  • O efeito do Euro, conforme dito no artigo anterior, não é inteiramente claro no paper apresentado. No entanto empresas com pouco eficiência se aproveitaram da queda de juros na sequencia da introdução do Euro.
  • Vemos uma relação de parceria entre empresas e bancos, beneficiando o capital para empresas com pouca eficiência. Isso é particularmente destacado na Itália onde há décadas vemos essas relações estreitas entre bancos e empresas. Isso geralmente é muito prejudicial para o desenvolvimento da produtividade, empresas fracas com contratos e relacionamentos mais próximos com os bancos, tendem a obter mais créditos que empresas fortes e produtivas mas que não tenham relacionamentos estreitos com os bancos.

A fraqueza sustentada pela baixa produtividade da economia Italiana tem pouco a ver com o Euro, ou o uso real da politica monetária e fiscal.

Como podemos ver que esses problemas não desaparecem, mesmo quando o BCE alterou sua politica montearia, mas sim tem raizes nas ações mais populistas do governo Italiano. Deem uma lida nesse outro artigo de um economista alemão Daniel Gros PhD em economia pela Universidade de Chicago.

Há sugestões, há muito tempo, sobre como resolver esses problemas italiano. Medidas que incluem regras mais flexíveis no mercado de trabalho, desburocratização na criação de empresas, mudanças nas regras sobre estrutura das empresas, facilitando a entrada de investidores estrangeiros de private Equity ou IPOs.

Essas medidas não surtem efeito a curto prazo, se conferir no último gráfico que coloquei no artigo veja que essas mudanças executadas na economia alemã demoraram um tempo para começar a fazer seu efeito. Mas precisa-se começar a mexer agora para ver os resultados futuros, o que estamos percebendo que o governo italiano parece não demonstrar nenhuma vontade em mudar esse quadro.

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Gordinho outfit e como ganhar dinheiro com ele

Gordinho outfit e como ganhar dinheiro com ele

Essa semana tivemos a viralização do vídeo do gordinho outfit. Muitos criticaram o gordinho por estar gastando quase R$40 mil reais com roupas e se exibindo na internet. Vendo todo esse burburinho na internet pensei em fazer um vídeo para mostrar a essas pessoas que estão reclamando que ao invés de ficarem murmurando, procurem ganhar dinheiro em cima de pessoas como o Gordinho do Outfit. Que pasmem, não é exceção, temos uma grande gigante de brasileiro que gastam rios de dinheiro com roupas de marca.

Esses grupo que gosta de ostentar roupas crescer de forma progressiva, mas seria possível você mesmo não gostando de gastar dinheiro comprando roupas ganhar dinheiro em cima desses grupos? Vou mostrar para você nesse vídeo diversas empresas da bolsa americana, que vendem roupas de marca, não só nos USA como para o mundo todo.

Confira abaixo o vídeo do gordinho outfit e como ganhar dinheiro em cima dessas pessoas:

Invista em Dividendos nos Estados Unidos

Se você gostou das empresas citadas no video ou de outras empresas semelhantes a ela, saiba que é possível investir nos Estados Unidos de forma simples e barata. Não precisa ter tanto dinheiro e pode-se operar daqui do Brasil.

Abra sua conta numa corretora americana, diversifique seus investimentos em dólar e comece agora mesmo a montar sua carteira de ações nos Estados Unidos. Veja aqui como Abrir uma conta na corretora americana.

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Você está preparado para a próxima crise na bolsa?

Você está preparado para a próxima crise na bolsa?

Com o mercado atingindo topos históricos é muito comum vermos investidores começarem a prever o apocalipse financeiro. Nesse video, vou responder a pergunta de como me preparo para enfrentar a crise na bolsa. Além dele, não deixe de ler o conteúdo do artigo que tem diversas informações importantes não mencionadas no video.

Tem um post que fiz um reTwitter que ilustra bem isso, confira mais abaixo. O que muitos investidores não entendem é que o mercado de ações É e sempre será cíclico.

Vou colar a imagem do Twitter aqui direto pra você verem a quantidade de pessoas que começaram a prever o “fim do mundo” na bolsa de valores americana, chega a ser engraçado como isso costuma se proliferar.

Proliferação das previsões de mercado urso desde que o mercado atingiu o top histórico
Proliferação das previsões de mercado urso desde que a bolsa atingiu o topo histórico

Sabe que é engraçado que desde o dia que abri esse blog as pessoas veem aqui e postam: “eu queria investir na bolsa americana, mas o mercado está alto e escutei de fulano e sicrano que vai acontecer um crash aí eu vou entrar na bolsa”. Enquanto eles ficaram repetindo isso inúmeras vezes nos comentários eu foquei na minha estratégia e o que tenho pra mostrar pra esses que estão até hoje esperando o mercado Bear é esses dois gráficos:

Patrimônio do VdD em 2018
Evolução do patrimônio do VdD na bolsa até 2017, consulte pagina de carteira para um mais atualizado.
Dividendos por ano recebidos pelo VdD enquanto o trem passava eles olhavam pela janela
Dividendos por ano recebidos pelo VdD enquanto isso eles viam a vida passar pela janela.

Na última vez que o Urso entrou em cena foi em 7 de julho de 2008 onde o S&P500 entrava no território do urso, depois de cair -20% desde seu topo em outubro de 2007.

De modo geral os mercados Urso tem uma duração de 18 meses, considerando-se desde a grande depressão. Se analisarmos desde 1956, veremos que a média do mercado urso é de 14 meses.

O mercado Urso leva em média cerca de 5 anos para se recuperar e retomar ao topo antes de ter entrado no mercado urso. Porém, se analisarmos de 1956 para cá o tempo médio de recuperação cai para 2,9 anos.

Atualmente as ações estão no mercado de alta nos últimos 8-9 anos. Isso torna mais fácil para muitas pessoas manter os ativos na carteira, mas principalmente para aqueles que acreditam que vão começar a caminhada rumo a independência financeira e vai chegar a reta final sem nenhum ciclo.

Antes de escrever esse post, fiquei imaginando e me perguntei:

O que aconteceria se meu patrimônio cair 50% esse ano ?

Eu sei que muitos investidores que estão focados em ações buscando o retorno total ficariam tristes com essa perspectiva. Imagina se você economizou durante 20 anos e acumulou um patrimônio de $1 milhão de dólares. Então bum – em um ano, metade do seu patrimônio liquido, sangue, suor e lagrimas – se foi. Você estaria em pânico ?

Eventualmente se for um investidor de ETF, certamente estaria chorando sangue. Veja aqui porque.

Eu fico totalmente indiferente a uma queda de 50% no meu patrimônio de ações. Pois, como um investidor de crescimento de dividendos, estou isolado das variações de preço pois o meu retorno vem dos dividendos e não da valorização das ações. Isso porque se você focar no poder de geração de caixa do negócio, lembre-se o caso do Sr. Grammel, irão gerar pagamentos de dividendos crescentes, conforme mostrei no meu gráfico pessoal do inicio do post.

É muito reconfortante continuar a receber seus dividendos, mesmo quando o mercado em todo o mundo está caindo. Quando todo mundo está chorando sangue, eu tenho o privilegio de continuar a receber meus dividendos e pagar minhas contas com eles ou recomprar mais ações a avaliações extremamente baixas.

Desde que os fundamentos da empresa continuem bons, posso ignorar completamente as flutuações de preço das ações. Esta é uma das caraterísticas mais importantes que você terá ao se tornar um investidor de crescimento de dividendos, como eu.

Aqueles que não entendem isso, são geralmente os que nunca conseguirão chegar na reta final apenas com sua taxa de poupança. Querem milagrosamente fazer um Trade salvador ou acham que entendem dos ciclos do mercado. Geralmente são aqueles mesmos investidores que entram no ano 1 e no ano 3 já saem da bolsa.

Ciclos do mercado americano ao longo dos anos
Ciclos do mercado americano ao longo dos anos

Se você entra na bolsa com o jeito do VdD de investir. Montando uma carteira de crescimento de dividendos, e depois fica desesperado com o próximo Bear então não entende absolutamente nada de ciclo econômico.

Coloquei acima um gráfico muito importante para ilustrar os ciclos do mercado, veja que de modo geral o mercado fica em Bull na média por quase 9 anos seguidos e em Bear por por 1,4 anos.

Ou seja ele passa maior parte do tempo em tendencia de alta. Você acha que em 20 anos operando no mercado provavelmente deve passar por 2 Bear, talvez menos dependendo do clico, mas é quase impossível não passar por pelo menos 1. Se você não conseguir lidar com isso, saia da bolsa imediatamente e vai procurar outro ativo para investir.

Aí entra duas categorias de investidores que considero as mentalidades mais arriscadas que existe.

Primeiro é o que se acha o mago dos investimentos e vai conseguir acertar todos os ciclos, ele acredita que vai entrar no início do mercado Bull e vai conseguir medir certinho o momento antes do mercado entrar em Bear e vai sair antes. É aquele típico investidor que comenta, agora é hora de investir em bitcoin, agora é hora de investir em TD, agora vamos voltar para ações, só que nunca acertar esses momentos em nenhum dos investimentos e o que acontece com o seu capital quando ele fica entrando e saindo das ações?

Patrimônio é igual sabão quanto mais você mexe, mais ele diminui!

O outro grupo de risco é aquele que diz que não vai entrar na bolsa porque está no topo, ou em alguma bolha. Tirou isso da cabeça dele, ou ele escutou alguns daqueles “gurus” lá do inicio do post que pregam o apocalipse, e ele vai esperar a bolha estourar para entrar. Aí o gênio acha que ele vai passar 10 anos da vida guardando dinheiro embaixo do colchão para entrar dando all-in em 1,3 anos na bolsa.

É o típico investido que vive falando que vai entrar na bolsa no próximo ciclo, mas nunca entra na verdade. No pensamento dele é mais vantagem passar 10 anos da vida guardando a grana debaixo do colchão ou numa poupança da vida. Ao invés do dinheiro estar gerando mais dinheiro pra ele ao longo desses 10 anos, ao invés desse capital estar pagando dividendos para ele todo ano, ele deixa parado lá desvalorizando em cima de uma moeda fraca. Aí ele acredita ser iluminado para achar o ponto G do mercado e entrar com toda essa grana de uma vez. No final ele se acha um Warren Buffett brasileiro, mas acaba se tornando isso aqui.

O mercado vai subir até Marte!

Um outro grupo de investidores, são aqueles que acreditam que o mercado de ações nunca vai parar de subir. Ele acha que o mercado vai ficar subindo ad-eterno e nos vimos no gráfico que não é bem isso que ocorre. Aquele gráfico é muito útil, pois você entende que o mercado vai subir a maior parte do tempo, mas vai ter momentos, mesmo que curtos, que ele vai entrar em queda o que chamamos de Bear Market.

Então conhecendo isso você deve estar mentalmente preparado para esses momentos. Conhecer um pouco dessa história e entender como ele se comporta ao longo dos anos é fundamental para isso. Por isso estamos falando sobre esse assunto aqui neste post. O futuro nunca vai se repetir exatamente como ocorreu no passado.

A verdade é que ninguém pode prever os preços das ações. E muito menos se o passado vai se repetir no futuro, então é muito comum vermos investidores acharem que as ações vão subir sempre, que os ETFs ou fundos vão sempre subir no longo prazo.

Por isso eu concentro meus investidos em ações de dividendos, pois isso é dinheiro depositado na minha conta, eu não tenho que vender minhas ações no Bear com o mercado despencando para pagar minhas contas.

Os dividendos são mais estáveis que os ganhos de capital, já falei sobre isso aqui. São uma ligação direta entre os lucros da empresas e o seu valor.  Assim, dividendos retiram valor de um investimento em ação – a cada trimestre.

Uma vez que você entende que os preços são imprevisíveis e variam muito, encontrar estratégias que são focadas em venda de ativos, como as adotadas por investidores de ETF e alguns investidores que vivem a falar no youtube que você tem que procurar empresas que não distribuem dividendos e esquecer empresas de crescimento de dividendos, se torna algo extremamente arriscado.

Porque essas estratégias são arriscadas?

Porque o valor de mercado de $1 de lucro pode variar drasticamente, baseado no humor do mercado. No entanto, $1 dólar distribuído de dividendo será $1 dólar independente de como o mercado acordou.

Para quem investe como o jeito do VdD de investir, pouco vai importar se o mercado caiu 50% ou subiu 50% pois ele continuará a receber sempre um dividendo maior. No final das contas quem pagará suas despesas não será o animo do mercado, ele não estará delegando ao mercado o quanto ele deve receber, mas sim será algo que estará sobre o seu domínio, ter escolhido empresas que pagarão sempre mais dividendos ao longo dos anos.

Se olharmos a última recessão, veremos muitos cortes de dividendos. No entanto, empresas que tinham históricos consistente de aumento dos dividendos, não sofreram deste mau. Empresas como KO, WMT, PG, JNJ entre outras que você pode encontrar aqui e também na nossa carteira de ações nos Estados Unidos a Ex-Dividend, continuaram a crescer seus dividendos aos acionistas.

Como montar uma carteira que irá distribuir mais dividendos mesmo durante a crise e ciclos do mercado

Claro, que ter essa minha tranquilidade de poder dormir bem a noite com a minha carteira. Sabendo que, independente do animo do mercado, estarei recebendo meu salário no final do mês precisa de seguir esses princípios bem de perto:

  • Montar uma carteira bem diversificada
  • Procurar crescer seus aportes ao longo dos anos
  • Construir seus portfólio lentamente
  • Segurar essas ações por pelo menos 20 anos
  • Buscar um equilíbrio entre o crescimento, ganhos de capital e dividendos
  • Buscar conhecimento continuo

Se quiser uma proteção contra os ciclos, repare a minha carteira ou a nossa carteira top picks do Ex-Dividend e observe que boa parte das empresas cresceram os dividendos por pelo menos 10 anos consecutivos. Isso irá cobrir aproximadamente 2 ciclos econômicos. Faço isso para filtra empresas que conseguiram crescer dividendos sem ter um case resiliente por trás, apenas estavam no lugar certo na hora certa. A maioria das empresas que cortam dividendos durante o ciclo são empresas que não tinham tradição de aumentar os dividendos consecutivos por pelo menos 10 anos.

Eu quero empresas na minha carteira que tenham a probabilidade de aumentar os dividendos acima da média, para manter o poder de ganhos quando as coisas ficam difíceis. Essas são as empresas que continuarão pagando mais e mais dividendos durante a próxima recessão.

Uma vez que meu foco ao avaliar empresas é no seus fundamentos de longo prazo e como as empresas vão se comportar diante das adversidades do mercado. Essas são as empresas que continuarão pagando dividendos crescentes durante a próxima recessão. Meu foco está nos fundamentos da empresa e seu case de negócio no longo prazo, ao invés de acompanhar a maníaca psicose do mercado, isso evita que de preocupar-me com as flutuações loucas do mercado.

Por conta disso, estou menos propenso a entrar em pânico, quando o preço das minhas ações caem. Além do fato, de que o recebimento dos dividendos também serve como um reforço positivo, evitando assim que entre na espiral depressiva do mercado.

Eu também tenho flexibilidade, porque posso vender os ativos que tiverem dividendos cortados. Eu posso comprar um novo ativo que pode proporcionar ganhos sustentáveis e dividendos crescentes a fim de manter os níveis de renda.

Eu sei que as arvores não crescem até o céu. As ações sobem de preço, geralmente por conta de um aumento de lucros, que consequentemente traduziremos em um crescimento de dividendos. No entanto, a correlação entre lucro e valor das ações pode não ser muito clara no curto prazo.

Às vezes, empresas são vistas favoravelmente pelo mercado, e às vezes elas são vistas desfavoravelmente. Muitas vezes, ocorre de uma empresa continuar crescendo lucros e dividendos e, no entanto, preço de suas acoes permanece estagnado por anos.

Eu sou paciente o suficiente e não me preocupo se o preço das minhas ação não sair do lugar por longos anos. Outros consideram isso uma heresia, pois foram ensinados que você precisa de comparar seu portfólio com um benchmarks todos os meses, falarei sobre isso em outra oportunidade, só deixando uma ponta solta aqui. Se você for underpeform (performar abaixo do índice) significa que você precisa de abandonar sua estratégia.

Se eu vender meus ativos a qualquer momento que o mercado os verem como desfavoráveis, eu jamais estaria com a bola de neve crescendo, lembre-se novamente da barra de sabão. Pessoas que alteram suas estratégias frequentemente nunca conseguem chegar no end-game, veja um exemplo disso aqui, conhecendo e entendendo o pior fundo de investimento da história.

Eu sei que durante o próximo mercado Urso, meu portfólio vai continuar gerando dividendos crescentes na minha conta. Não tenho que me preocupar com as flutuações de preço das ações. A principal coisa que preciso de fazer é manter o foco sobre aquelas empresas que têm modelos de negócios que são construídos para durar.

Sua carteira está pronta para o próximo mercado Bear ? Quão preocupado você pode estar com uma queda de 50% nos preços das suas ações ?

Se você está em busca de respostas para essa pergunta e não sabe como fazer, recomendamos fortemente que considere nosso Ex-Dividend, saiba mais aqui:

Zona do Euro e a Alemanha

Esses dias retwittei um estudo bem interessante sobre a zona do euro. Onde mostra os países da Europa e quem é o seu principal importador. Na imagem fica claro duas coisas, a primeira é que a Alemanha praticamente domina o comercio dentro da Europa. Abaixo vamos listar uma imagem que mostra o principal importador de cada país. Para ilustrar, por exemplo: a Inglaterra ela importa mais da Alemanha que por sua vez importa mais da China.

Mapa com o principal importador de cada país
Mapa com o principal importador de cada país

A outra constatação é que a Alemanha conseguiu dominar a Europa sem dar um tiro, já falei sobre isso lá no nosso podcast. No twitter, o pessoal dos comentários, até colocaram uma imagem cômica:

zona do euroOutro ponto na discursão do twitter, é que muitas pessoas estavam questionando que a União Europeia e o Euro estavam beneficiando apenas os alemães. Isso me deixou encafifado, pois fiquei me perguntando: Será que é isso mesmo? Será que o sucesso da economia alemã se deve apenas a zona do Euro? Resolvi buscar essa resposta.

Esses questionamentos não são apenas algo do Twitter, mas tem surgido um movimento dentro do bloco, que vem levantando essas falsas premissas. Esses dias estava lendo que tem alguns partidos no sul da Italia estavam aproveitando desse discurso para ganhar espaço.

Achei esse outro gráfico onde demonstra que boa parte dessa controvérsia é infundada. Se pegarmos o crescimento Italiano e comparamos com o Alemão, veremos que ambos andavam juntos e apenas com a crise de 2008 que eles se distanciaram.

Um gráfico as vezes diz mais do que mil palavras:

PIB dos dois países desde 1991 com uma base de 100 padronizada no gráfico
PIB dos dois países desde 1991 iniciando numa base de 100 padronizada no gráfico

Podemos observar que até 2009 o crescimento da Italia e da Alemanha decorreu de forma idêntica, porém após a eclosão da crise financeira a coisa mudou de figura.

Esses mesmos populistas que citei acima, dizem na Italia que é culpa do governo que está implantando esse regime fiscal da zona do euro, como instrumentos para a suposta hegemonia alemã e isso tem sido o fator responsável pelo mau desempenho da Italia.

Essa postura é visto aqui na Alemanha como “Lateinophobie” um termo para designar essa cisma dos países latinos em achar que a zona (leia-se Alemanha) é o problema de suas economias.

Daí o economista chefe do Berenberg, quem fez esse gráfico, Holger Schmieding destacou dois pontos:

  • A economia alemã não é fundamentalmente mais dinâmica que a italiana. De 1991 até a crise financeira, as taxas de crescimento eram idênticas, embora ambos os países foram confrontados com desafios. A coisa ainda era mais complicada no lado alemão pois além do problema da crise a Alemanha ainda teve que lidar com a reunificação. Durante a recuperação econômica a Italia foi mais afetada que a Alemanha pois a Italia tinha mais produção em massa de coisas simples, o que acabou sendo impactado pela entrada de mercadorias chinesas no bloco.
  • É muito comum vermos com a entrada do Euro que muitos economistas europeus (nota VdD: até ai no Brasil), reproduzirem erroneamente que a moeda afetou a dinâmica de crescimento dos outros países. Italia e Alemanha cresceram rapidamente nos anos anteriores, mesmo após a introdução do Euro. O papel do Euro é superestimado.

Após a crise financeira, o desenvolvimento econômico da Alemanha foi além, e na Italia ficou estagnado e praticamente não vemos evolução considerável até os dias atuais. A principal razão de acordo com o Schmieding são as reformas estruturais, enquanto que a Alemanha em meados da década passada implantou reformas importantes no governo a Italia ficou apenas no entusiasmo dessas mudanças, sem fazer nada efetivamente, qualquer semelhança tupiniquins é mera coincidência.

Outro ponto que ele destacou é a revolução digital, que apesar da Alemanha no inicio ter caminhado a passos lentos nesse sentido, conseguiu reverter. Tanto que temos hoje diversas empresas de TI alemã presentes na cena global, talvez possamos falar sobre isso mais pra frente.

E os maiores clientes?

Para complementar o post vamos ver a mesma imagem porém agora por outra ótica, para quem os países mais exportam:

Para quem os países mais exportam
Para quem os países mais exportam

Esse gráfico é o contrario do primeiro, aqui podemos ver para quem o país mais vende. Por exemplo: a Alemanha vende mais para os Estados Unidos enquanto que a França e Italia vende mais para Alemanha.

Aqui podemos analisar a coisa de outra maneira, se a Alemanha venda bastante para o outros, ela também compra muito deles. Veja que tem vários países que o principal cliente é a Alemanha. É o velho ditado de que muitos só querem o venha a nós e ao vosso reino nada.

Como boa parte dos países da zona tinham sua industria de fabricação ancorada em itens mais simples e com a entrada da China no mercado Europeu, fez com que boa parte dessas fabricas que produziam itens básicos fossem dizimadas.

Em resumo, se querem culpar alguém pelo fraco crescimento da economia, esse alguém deveria de ser a China e não a Alemanha que tem colaborado bastante com o bloco sendo o principal comprador de diversos países.

Bônus Pack

Os franceses deveriam puxar a orelha dos espanhóis, já que esses gostam de comprar dos alemães mas na hora de vender é os franceses que dão aquela moral.

Os Estados Unidos deixaram os chineses tomar a Alemanha como principal cliente. Em contra partida, você entende porque a Angela Merkel fica tomando calada umas alfinetadas do Trump, não dá pra arrumar treta com seu principal cliente.

A relação entre Portugal e Espanha ainda continua bem equilibrada, praticamente irmãos.

Pedi para o Economista Visual fazer uma versão tupiniquim do nosso gráfico, ele colocou os países daqui da America do Sul e pra quem eles mais vendem. As conclusões, se vocês quiserem podem deixar nos comentários rsrsrs… Eu só digo que o Mercosul não tem sido nada benéfico para nós Brasileiros.

Alô EV falta fazer a segunda versão do gráfico mostrando de quem os países mais importam.

O que veremos a seguir

Aproveitando para falar sobre um próximo video do canal. Tem tempo que não falo sobre FII aqui no blog, então vou colocar na pauta os contratos de FII e a suas relações com os tipos de FII.

Apenas para ir entrando na vibe deem uma lida nesse artigo do Informaremos do nosso querido VdC, lá ele aborda a questão do Distrato, bom que você vai se aprofundando acerca dos termos técnicos do setor de imóveis.

Porque investir em REIT hoje

Porque investir em REIT hoje

REIT são uma classe de ativos fantástica, especialmente para aqueles que como eu são apaixonados por dividendos. Esse inicio de ano para os REITs tem sido bem forte a queda nos preços, com muitos REITs provando +10% de queda nas cotações.

Veja abaixo a oscilação do indicador de REIT desde o inicio do ano, soma-se -12,28% de queda no índice. É importante você entender a razão e objetivo de porque você tem REITs na carteira, senão vai acabar se levando junto com o mercado.

As oscilações de preços tem apenas um significado para o verdadeiro investidor. Elas fornecem-lhe oportunidades de comprar sabiamente quando os preços caem drasticamente e vender sabiamente quando os preços sobem. Em outras vezes será melhor se ele esquecer-se do mercado de ações e prestasse atenção no retorno dos seus dividendos e nos resultados operacionais de suas empresas.

É EXATAMENTE ISSO QUE ESTOU FAZENDO!!!!

Tenho lido alguns resultados de REIT e tenho tentado montar o quadro do setor. Enquanto o mercado anda expressando medo que os REITs não serão competitivos em um ambiente de taxa de juros crescentes, os fundamentos estão falando uma língua diferente.

Inclusive os REITs estão melhor posicionados hoje do que eram em 2013 (prenuncio do aumento dos juros), porque a maioria tem reduzido sua alavancagem e removido as propriedades não-core. Eles estão se preparando para o aumento da taxa de juros há algum tempo, mas o mercado tem respondido como se fosse um apocalipse.

Em 2013 os REITs estavam passando por um momento um tanto pior que o atual, porém os fundamentos permaneciam sólidos e começaram a conduzir o mercado. Os REITs foram capazes de gerar retornos robustos em 2014 (+30,14%). Então no final de 2015 o mercado começou a ficar nervoso novamente, com o Federal Reserve anunciando o primeiro aumento de taxa. Isso assustou o mercado de REIT que entregou resultados modestos em 2015 de 3,2%.

Em 2016, o mercado aqueceu novamente, a maioria dos setores estavam tendo retornos solido, com média de 8,5% e a coisa melhorou em 2017 com retorno de 12%.

Quando entramos em 2018, a maioria dos analistas acreditavam que o mercado já havia pré fixado no preço e ninguém (aí inclusive eu) suspeitava que haveria essa liquidação de inicio de ano. Afinal os REITs estavam apresentando fortes ganhos e um bom desempenho no crescimento de dividendos e não havia nenhuma razão para suspeitar que o Sr. Mercado iria se assustar mais uma vez.

Pegando o Graham emprestado novamente:

experiencia ensina que a hora de comprar ações é quando o seu preço é indevidamente pressionado pela adversidade temporária. Em outras palavras, eles devem ser compradas quando estão uma pechincha.

Todos os setores de REIT estão oferendo boas oportunidades, enquanto que o medo do crescimento das taxas de juros assustou o mercado, consideramos essa liquidação em um excelente momento para comprar com alguns descontos.

  • Data Center: -15%
  • Hotel: -12%
  • Saúde: -9%
  • Industria, atípicos, escritório e residências: -8%
  • Fazendas e shopping: -7%